terça-feira, junho 13, 2006

Não tenho tempo


Já não há tempo,
Já não tenho para procurar
O que todos procuram uma vida:
O amor.

Contento-me enganada,
Como são as crianças quando dizemos
"Dorme senão vem lá o papão!".

A mim a vida diz-me:
"Finge ser amada senão vem lá a solidão!".


E eu fico assim, finjo-me

Deliciada com a tua presença
Quando ela apenas delicia o meu vazio
E não o meu coração.

Já tive amor, ou o que
Conheci mais perto disso,
Mas ele fugiu.
Agora não tenho tempo nem
Coragem para correr atrás de alguém
Com o coração nas mãos, oferecendo-lho
(Correndo o risco de o deixar cair).


Prefiro ficar aqui com ele,
Ele que ocupa as minhas horas
E me faz sorrir, porém,
Não ocupa a minha alma...

Assim finjo estar acompanhada
Quando passeio na rua de mão dada contigo,
No entanto, quando te vais tarde da minha cama
E regresso à minha casa (o coração)
Sinto sempre o mesmo frio.

Vá, aguenta mais uns minutos.
Em breve o sono virá.
Quando acordar, o sol
Encarregar-se-á mais uma vez de
Me enganar e fazer julgar que sou feliz.

1 comentário:

Oxygen28 disse...

Muito bom.
Reflecte verdadeiramente alguns estados de espírito pelos quais passamos alguns de nós.