segunda-feira, março 20, 2006

Promessas

A falta de amor
Fechou a porta
Que dava ao reino da fantasia.
Enquanto ele estava ainda entregue
Ao pacífico descanso
Que o sono lhe proporcionava,
Ela desviou os lençóis e sentou-se na cama.
Olhou pela janela e questionou a coragem disponível
Para aceitar que aquele ciclo da sua vida tinha terminado.
Decidiu por fim, tinha de ser!


Levantou-se, foi até à casa de banho
E parou em frente ao espelho.
O reflexo que a imagem lhe apresenta é triste,
É de alguém que perdeu todos os seus sonhos,
Que perdeu a vontade e o sentido de os conservar.
O percurso habitual das suas lágrimas
Parecia estar bem marcado nas suas faces,
Onde horas e horas a fio, enquanto o esperava,
Enquanto esperava o amor que nunca chegou,
Elas correram...

Depois de vestida
E de mala na mão (cheia de fragmentos da sua vida)
Olha mais uma vez a cama.
Lá está ele, deitado de tronco nu, de bruços estendido,
Respirando calmamente, desconhecendo o que naquele momento
Mesmo à sua frente acontece.
O homem um dia que lhe prometeu a felicidade,
Que prometeu amá-la toda a vida
Como na hora em que o prometeu.

Fechou a porta do quarto e foi-se para sempre.

As promessas,
Nada sustentam na vida!
Não façamos a nossa vida baseada em promessas
Pois elas não são eternas e não se mantém por si sós.
Somos nós o seu sustento, o nosso esforço
É que lhes dá sentido!
Não prometam, cumpram apenas!

Sem comentários: