
Já não há tempo,
Já não tenho para procurar
O que todos procuram uma vida:
O amor.
Contento-me enganada,
Como são as crianças quando dizemos
"Dorme senão vem lá o papão!".
A mim a vida diz-me:
"Finge ser amada senão vem lá a solidão!".
E eu fico assim, finjo-me
Deliciada com a tua presença
Quando ela apenas delicia o meu vazio
E não o meu coração.
Já tive amor, ou o que
Conheci mais perto disso,
Mas ele fugiu.
Agora não tenho tempo nem
Coragem para correr atrás de alguém
Com o coração nas mãos, oferecendo-lho
(Correndo o risco de o deixar cair).

Prefiro ficar aqui com ele,
Ele que ocupa as minhas horas
E me faz sorrir, porém,
Não ocupa a minha alma...
Assim finjo estar acompanhada
Quando passeio na rua de mão dada contigo,
No entanto, quando te vais tarde da minha cama
E regresso à minha casa (o coração)
Sinto sempre o mesmo frio.
Vá, aguenta mais uns minutos.
Em breve o sono virá.
Quando acordar, o sol
Encarregar-se-á mais uma vez de
Me enganar e fazer julgar que sou feliz.
1 comentário:
Muito bom.
Reflecte verdadeiramente alguns estados de espírito pelos quais passamos alguns de nós.
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